sábado, 15 de janeiro de 2011

CENTRO AFINADOR DE QUEIJOS


Ha uns anos atrás visitei uma loja, queijaria, fantástica em Madri. A Poncelet é uma loja que tem uma grandíssima variedade de queijos disponíveis. Pois agora, os responsáveis de esta queijaria delicatessen, que já tem um site muito completo com uma enciclopédia do queijo entre outros serviços e estudos, criaram o primeiro centro de “affinage” de queijos da Espanha.



Isso significa que todos os queijos que são comercializados na loja de Madri estão devidamente climatizados e cuidados de acordo com as necessidades de cada queijo. É realmente muito interessante. Enquanto no Brasil não há nenhuma previsão de algo parecido é uma pena. As leis de importação e produção de queijo no Brasil deveriam ser um pouco mais maleáveis.


Para os que entendem castelhano vale a pena a leitura. http://www.poncelet.es/ é o site da loja e o http://www.poncelet.es/noticia-275/actualidad/-poncelet-crea-el-primer-centro-afinador-de-espana- sobre o centro de affinage.

Bon profit!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

QUEIJO GORGONZOLA II



Para quem quizer mais informações sobre o queijo gorgonzola, aqui vai um link do programa australiano chamado cheese slices, no proprio youtube existem varios videos deste programa e sobre varios queijos, vale a pena ver-lo.


http://www.youtube.com/watch?v=jt_zmc8Zy-0

Nao posso deixar de postar o site do consorzio para a tutela do queijo gorgonzola.

http://www.gorgonzola.it/

Bon profit

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

QUEIJO GORGONZOLA D.O.P


Talvez o queijo mais famoso da Itália e um dos queijos mais famosos no mundo, o queijo Gorgonzola tem o mesmo nome do vilarejo onde nasceu localizada perto de Milão, na região de Lombardia, Itália.
O queijo Gorgonzola é muito antigo, tão antigo que não existem registros históricos que comprovem quando exatamente nasceu o queijo Gorgonzola. Há muitas historias relacionada a este “nascimento” porem todas de natureza hipotética e lendária.


Algumas pessoas afirmam que o queijo Gorgonzola nasceu na localidade de mesmo nome no ano de 879 e por outro lado, outras pessoas dizem que nasceu na localidade de Pasturo em Valsassina, conhecida pelos seus queijos ha muito séculos e devido à presença de covas naturais cuja temperatura media constante se mantém entre os 6ºc e os 12ºc e isso permite a perfeita maturação do gorgonzola e muitos outros queijos.
O primeiro nome do gorgonzola foi “Stracchino de Gorgonzola” e melhor definido mais tarde pelo seu sinônimo “Stracchino verde”. Do italiano “stracca” quer dizer cansado, o que se entende que o queijo Gorgonzola era produzido com leite obtido no outono, quando as vacas já muito cansadas da transumância voltavam aos seus estábulos para abrigar-se do duro inverno alpino. Isso fazia o queijo Gorgonzola ser diferente dos demais.


A promoção do queijo Gorgonzola sempre foi lenta se comparada com outros queijos, porem constante. As zonas de elaboração foram aumentando e a Lombarda agora se soma o Piamonte, tanto a zona de Pavese como a de Novarese se unem a Milão e a Comasco na produção do gorgonzola.
De esta maneira os decretos de 1955 e de 1977 delimitam as zonas de produção e maturação de este queijo com a criação da denominação de origem protegida.


O queijo Gorgonzola é feito com leite cru em pequenas queijarias e pasteurizado em grandes indústrias. Obviamente o de pequenas queijarias é impossível encontrar no Brasil, ou melhor, só se encontra na Itália. No Brasil temos a mania de chamar qualquer queijo azul de gorgonzola ou roquefort, porem, o queijo gorgonzola só se fabrica dentro dos limites territoriais marcados pela denominação de origem protegida do queijo Gorgonzola. Os queijos fabricados fora de estes limites territoriais são qualquer outro queijo menos gorgonzola.


Hoje existem umas 40 leiterias familiares e grandes indústrias, como disse, alguns queijeiros ainda respeitam a receita original que demoram 2 dias para finalizar o processo de coalhado. Desde o principio do século XX a maioria dos produtores e principalmente a grande indústria destinada a produzir em grande escala, produz o queijo com o processo de coalhado de 1 dia. O mofo azul do queijo gorgonzola neste caso é adicionado ao leite industrialmente o que confere ao queijo de 1 dia umas veias azuis mais compactas e uniformes, porem, sinceramente, são dois queijo distintos.


O queijo Gorgonzola se produz em grandes formas, de 6 a 13 quilos e ao maturar as laterais se sobressaem. As bordas devem apresentar uma cor acinzentada, porem nunca marrom, isso indicará que o queijo está seco e mal maturado.
Comercializa-se o queijo Gorgonzola como “Dolce” e “Piccante”. A versão dolce é mais cremosa e suave, aqui as veias azuis do penicillium não tiveram tempo suficiente de maturação para se desenvolver e isso faz este queijo ser menos agressivo e ser chamado “Doce”, é a versão de queijo gorgonzola fresco e que tem no mínimo 50 dias de maturação. O Gorgonzola Picante tem mais tempo de maturação mínimo 80 dias e é mais seco e como diz o nome mais picante, esta sensação de picante da o fungo penicilium que é industrialmente introduzido ou naturalmente obtido através do método tradicional. Nos dois casos as veias azuis são irregulares e aporta o gosto picante aos dois diferentes queijos.


O queijo gorgozola casa muito bem com diversos produtos e as duas variedades permitem jogar mais com diferentes alimentos. Molho de queijo gorgonzola para o macarrão é fantástico. Um pedaço de queijo dolce com pão de nozes é fantástico. É comum encontrar queijarias que vendem queijo gorgonzola com queijo mascarpone, é uma mistura muito interessante. Vinho doce, Moscato d’Asti, Porto, Pedro Ximenez....sao todos bons amigos. Importantissimo, antes de consumir o queijo gorgonzola deve-se deixar o queijo fora da geladeira pelo menos meia hora, assim conseguiremos uma textura e sabor perfeitos.


As fotos postadas são do gorgonzola dolce de perolari, é sem duvida o melhor gorgonzola que provei.
Os queijos gorgonzolas vêm de fabrica com a marca do produtor na casca superior do queijo, são queijos grandes de 6 a 13 quilos, produzido com leite de vaca. A textura deve ser cremosa se é a versão Dolce e seca para a versão piccante.
A produção de hoje é feita sob o respaldo e fiscalização do consorzio de gorgonzola D.O.P o que garante a origem e manipulação do queijo antes de ser vendido, seguindo assim normas estritas de produção e manipulação tanto como de origem do leite para a produção.
Espero que algum dia o Brasil possa produzir um queijo azul sem nome estrangeiro.

Bom apetite

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

QUEIJO GOUDA BOERENKAAS


O verdadeiro queijo Gouda hoje em dia é produzido em todo território Holandês. O queijo é produzido nos países baixos desde a Pré Historia, mas foram os romanos que introduziram o queijo maturado, dos quais nasceram os queijos Gouda e Edam.
Desde a idade média os queijos holandeses eram vendidos dentro e fora das suas fronteiras e isso se deve a grande virtude que possuem os holandeses como negociantes e navegadores, virtudes que permitiram também que os seus produtos fossem internacionalmente conhecidos e prestigiados. No Brasil conhecemos o queijo “tipo” Gouda, que pouco tem que ver com o verdadeiro Gouda, porem temos que reconhecer que o prestigio do queijo Gouda é grande, inclusive me atreveria a dizer que é um dos queijos mais famosos no mundo. Confesso minha admiração por este queijo (o original holandês) é dos meus favoritos. Tal prestigio não foi alcançado pela copia feita no Brasil, obvio, por isso é fundamental e se possível, experimentar o original e sacar cada um as suas próprias conclusões. Também temos que considerar que com a companhia das Índias de Holanda, no século XVII, foram introduzidos novos condimentos ao consumo cotidiano na culinária holandesa, o queijo não foi diferente. Cominho, Cravo, pimenta e outros.



O queijo Gouda é extremamente importante para a cultura holandesa e também foi para a sua economia. Existem mercados inteiros que giram em torno ao queijo Gouda, quem tiver a oportunidade de ver ao vivo o espetáculo do Kaas markt de Alkmaar, perto de Amsterdã não se arrependerá certeza. http://www.kaasmarkt.nl/welcome.asp?lang=4 neste site pode-se ver vídeos do kaas markt, vale a pena ver, também há vídeos sobre este curioso mercado em Youtube. http://www.youtube.com/watch?v=PEnMCoEBU-Y o melhor produtor (que eu conheça) de Boerenkaas Gouda é o http://www.wijngaardkaas.nl/es fantastico. Goudas de até 3 anos de maturação.
O queijo Gouda é um queijo de pasta lavada, ou seja, se escorre uma parte do soro e se substitui por água quente, se remove bastante e voltamos a escorrer um pouco mais de soro, agora já mais diluído e se substitui por mais água. A água elimina a lactose (os açucares do leite) da coalhada. Quando a coalhada esta quente a coalhada se escalda e isso expulsa a umidade que sobra e normalmente não sairia. O resultado deste processo é a diminuição da acidez da coalhada a níveis abaixo do normal e isso porque reduz a atividade das bactérias lácteas.



O queijo Gouda é um queijo de consistência firme e flexível quando fresco e amarelado, quase laranja, e quebradiço quando maturado. Este queijo quando maturado (o meu preferido) pode apresentar pequenos grãos de tiroxina, que é a solidificação do sal empregado para o salgado do queijo, são pedacinhos crocantes e salgados. Apresenta poucas e pequenas olhaduras. Pode ter uma maturação de 4 semanas à 3 anos e peso de 200 gramas à 20kg. É feito com leite de vaca, pode ser leite pasteurizado se for industrial ou leite cru no caso do queijo de granja, chamado “boerenkaas”.
Aos poucos meses de maturação o gouda é de textura elástica e tem um sabor frutado e doce. Com o tempo vai ficando mais duro e intensificando o sabor, até que aos 18 meses, já apresenta cor amarelada intensa e no interior as pequenas olhaduras aparecem rodeadas de tiroxina. O sabor do queijo envelhecido apresenta um caráter complexo, desde o gosto a fruta até o ponto de amendoim e cacau. A sensação na boca é suntuosa e suave. O sabor do Boerenkaas Gouda pode varias de uma granja a outra.



Os países Baixos produzem 730 milhões de quilos de queijo dos quais 500 milhões se exportam. Mais ou menos 60% da produção de queijos Holandeses são Gouda.
O queijo Gouda fresco pode ser usado para fazer sanduiches, canapés e aperitivos. O queijo maturado pode ser usado e principalmente em tabuas de queijo. Pode ser usado também em receitas quentes, como arroz (risoto), massas e inclusive em bolos e doces. Acompanha maravilhosamente bem com cerveja holandesa, vinhos espumantes ou vinhos tintos robustos. Eu particularmente combinaria com uma taça de vinho manzanilla espanhol.
Bom apetite.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

DESCANSO

ESTOU FAZENDO O CAMIÑO DE SANTIAGO, DEPOIS DO DIA 10 DE DEZEMBRO VOLTO A POSTAR NOVOS TEMAS. CONTO COM A COMPREENSÃO DE TODOS.
OBRIGADO A TODOS

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

QUEIJO CABÉCOU/ROCAMADOUR

O queijo de Cabécou/Rocamadour é junto com o foie-gras e derivados do pato, o principal produto gastronômico da região do departamento de Lot, localizado no sul da França. Não se sabe ao certo a origem exata deste queijo, porem existem registros históricos do século XV demonstrando que este queijo foi usado para impostos e como moeda de troca.




Tradicionalmente denominado Cabécou este queijo foi rebatizado em 1996 em homenagem a sua aldeia de origem, Rocamadour. Amparado pela A.O.C (appellation d’origine contrôlée) desde 1996 e elaborado com leite cru de cabras Alpina e Saanen, são queijos muito pequenos e com um peso aproximadamente de 35gr. Em Langue d’Oc, antigo idioma do sul da França, Cabécou quer dizer “cabra pequena”.
Este queijo de granja e artesanal matura rapidamente e a maturação mínima é de 6 dias e máxima de 4 semanas. A casca é fina e com o fungo Geotrichum Candidum, a pasta é suave e cremosa com aroma que lembram a leite fresco e fungo.


A A.O.C cabécou/Rocamadour classifica o queijo de acordo com o tipo de produtor e são denominados “fermier”, ou, de granja e “artísanal”, que são os produtores artesanais e permitem uma produção maior. O processo de elaboração consiste em sete etapas. A primeira é o cuidado com o rebanho de cabra, alimentação, higiene do animal e instalações e obtenção do leite respeitando todas as exigências do conselho controlador e regulador da A.O.C Rocamadour. O segundo passo é o tratamento do leite, que deve ser usado logo após a ordenha e sem pasteurizar se o produtor tiver etiqueta “fermier” ou refrigerado se o produtor tiver etiqueta “artísanal” e que deve utilizar leite obtido na região delimitada pela A.O.C. O terceiro passo é a maturação do leite, que lhe adicionam coalho e fermento lático para o processo de coalhado, após este processo a coalhada é colocada em panos para dessorar durante 24/48 horas. O quinto passo consiste em salgar a pasta já dessorada misturando tudo, como se fosse uma massa de pizza. O Sexto passo é o moldado do queijo e por ultimo o affinage ou maturação do queijo, que dura no mínimo 6 dias em caves da propriedade produtora.




Tive o prazer de visitar a região este ano e visitei uma linda granja queijaria que adaptou as suas instalações a legislação européia, permitindo assim uma visita em solitário que não precisa de guias nem vestimenta especial para ver toda a propriedade. Ao outro lado da pequena estrada que cruza as duas propriedades da queijaria, esta a loja, um local cheio de delicias da região, vinho, mel, geléias, queijos, nozes, licores, foie-gras e derivados cárneos.


A região esta preparada para receber turistas do mundo inteiro e realmente é uma muito boa opção para fugir um pouco do roteiro tradicional. Localizada a 382 km de Barcelona e 452 km de Paris, é uma região muito bonita e por ali, passa o caminho de Santiago. Local de culto para muitos, conta com uma linda igreja construída no alto da montanha com vistas para todas as montanhas que rodeiam o vilarejo.
O Queijo de Rocamadour tem inúmeras aplicações gastronômicas, pode ser usada para fazer um recheio de pasta fresca ou tortas, empanado e frito, na salada ou com pão torrado e geléia de figo. Vinho branco de Vouvray seco ou Jurançon seco.
Bom apetite

sábado, 25 de setembro de 2010

TORTA DEL CASAR D.O.P

Ja escrevi sobre este delicioso queijo num post anterior. Comprei semana passada uma torta del casar na Vila Viniteca de Barcelona e na verdade estava impressionante e merecia um post novo. Tem coisa melhor?
O queijo do video nao foi esquentado no forno nem microondas, simplesmente deixei o queijo 3 dias fora da geladeira, num lugar não muito quente da cozinha. Ficou assim e estava deliciosa, praticamente liquida.

Bom apetite.